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Silly Girl...


Certo dia, o Quinzinho quis saber:
- Mãe, o que é um apontamento?
- Apontamento? Bom, são comentários, anotações... - a mãe retrucou.
- E desapontamento? É quando a gente não escreve?
- Não, Quinzinho. Não é nada disso. Desapontamento é...é...quando a gente decepciona uma pessoa. Mas isso você é pequeno demais para entender.

Sem comentar mais nada, Quinzinho largou a fatia de torrada em cima da mesa e saiu para o quarto. Pegou aquele velho caderno de caligrafia e se pôs a escrever fora das linhas de arrendondar letra:

Anita,

Escrevo este apontamento
Pelo desapontamento
De ter quebrado o seu apontador

Pra melhorar o que faria
Apontei a papelaria
Para o nosso inspetor

O seu João foi ligeiro
Pra tentar ser o primeiro
A ser atendido por aquele senhor

E me desculpa o verso torto
É que eu teria muito gosto
De ser o seu amor
___________

Então, posso te levar na quermesse?

João Quincas da Silva


Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 10h59
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Há-braços



Braços cruzados entrededos
Dedos tamborilantes na mão
Pinçam, coçam, cutucam
O braço em constante alfição


Amplexo disperso
Complexo sentir
Do abraço colante
Ao mesmo tempo distante


Não vai, fica aqui


O afago perfeito
O contorno
O conforto do peito
Fazem-lhe tremer


É sinal que há saudade
E de novo a vontade
Do abraço existir



R.C.S. - 17/10/07



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 01h25
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Osso duro de roer

Acabei de ver Tropa de Elite na sala escura e resolvi escrever logo para não deixar as primeiras impressões escaparem.


Concordo com meu amigo e companheiro de angústias cinematográficas quando diz que não sabe o que achar do filme. Eu também não sei.

Realmente, as questões extra-filme batem muito mais fortes e o hype (pra usar outra expressão costumeira desse meu amigo) que se formou em torno da obra te dispersa quanto ao cerne da questão.

O que sei é que com certeza saí diferente, se comparar à primeira vez que assisti. Quem sabe se o descompromisso da cama quentinha em casa, do DVD peer-to-peer (porque pirataria é crime, mas a web 2.0 é livre!), não me tenham feito pensar direito. Talvez a catarse do escurinho do cinema, o tiro amplificado, dividido pelas caixas acústicas, ou mesmo a cara de plástico “deste tamanho”, imunda de sangue, tenham tornado o BOPE (não a tropa, o filme,) ainda mais duro. Porque o primeiro já é duro de natureza.

Saí triste do cinema, de verdade e é quase às lágrimas que constato isso. De fato, não ando nos meus melhores dias, por uma série de motivos. O cansaço, o estresse de sempre, a Tensão Pré-Monografia e um crescente incômodo comigo e com o mundo tem me acirrado os ânimos. Mas agora, todas essas questões têm me soado irrelevantes e todo o desconforto e destempero está em me reconhecer ali, de certa forma, ao olhar aqueles jovens burgueses. Essa classe média “engajada”, “defensora dos direitos humanos e das ONG’s”, que tenta ler Foucault, mas que treme tanto ao passar em frente a uma blitz policial quanto diante de uma Cidade de Deus fechada pelo tráfico ou de um “elemento de atitude suspeita”.

É triste perceber que “é assim que as coisas são” é que é assim que permanecerão por um bom tempo. Ai, dá uma sensação de impotência tão grande...


Quanto ao filme, minha pobreza de acuidade cinematográfica (talvez precise de óculos novos) só me deixou ver mudanças banais, como uma ou outra seqüência mais ágil ou a exclusão óbvia da divisão por capítulos (o que, convenhamos, era mesmo desnecessário).

Mas se fosse para usar uma daquelas frases clichê de cartaz de cinema, diria que este filme é um mal necessário.

Sobre a cena final (tudo bem, sei como é chato ficar contando o fim, mas acho que não há praticamente nenhum brasileiro com acesso à internet o suficiente para ler este post que não tenha visto o filme, pirateado ou não): essa cena me lembrou um episódio em Cidade de Deus (não a favela), quando o menino maior do bando de pequenos assaltantes (vivido pelo hoje famoso “Laranjinha”) é coagido a dar um tiro na mão do coleguinha menor. O último pedido de Baiano me remeteu àquele choro compungido do menino. Sim, porque Baiano ali, humilhado, subjugado e tão vulnerável quanto uma criança é realmente um menor. Menor de oportunidades na vida, de referenciais, mas também de força, de caráter e de coragem para sair de uma situação nada determinista, que ele mesmo criou para si, mas que “a sociedade” (essa entidade abstrata) o ajudou a ter.

Nesse sentido, Tropa é o tiro na nossa cara que estraga o velório e seu antagonista é mais um nordestino que morre na contramão do destino, atrapalhando o tráfico (para usar mais umas frases clichê).

Mas, falando de frase, só tem uma que ecoa mais em mim do que a música-título do Tihuana:

“Quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só pra um playboy enrolar um baseado?”

E pergunto mais:quantos Baianos, Cariocas, Mineiros e Paulistas teremos que perder pro tráfico só pra nós, playboys, fumarmos nosso baseado e assistirmos nosso DVD pirata no conforto do lar?


Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 22h13
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Semana de Jornalismo da UFRJ

Hoje foi o primeiro dia da série de palestras e oficinas da Semana de Jornalismo da UFRJ - meioameios.

Bom demais voltar à rotina de seminários, palestras etc etc relacionados a esse árduo ofício. Por falta de tempo, interesse ou informação sempre ficava de fora...Além de tudo, tenho q dar um destaque pra oficina de radiojornal. Amanhã é o dia que vamos pôr a mão na massa, mas por hoje deu pra sentir que vai ser produtivo mesmo. Ouvir as experiências, trocar idéias e aprender um pouquinho sobre rádios comunitárias foi bem bacana.

Na primeira mesa de palestras, o tema foi Jornalismo Literário, com bons profissionais da área:Arthur Verríssimo, Caco Barcellos (que me fez viver meu momento tiete, assumo, rs. Não pelo questionável Profissão Repórter, mas pelo conjunto de trabalhos, principalmente no campo do Jornalismo Literário), Guilherme Fiúza e Pedro Dória mediados pelo professor Paulo Roberto Pires.

Ótimo para receber dicas preciosas, saber mais sobre o processo de trabalho desses caras gabaritados na profissão e confirmar o que eu já sabia: é um caro privilégio fazer jornalismo literário no Brasil, a não ser pela internet - vide o número de bons blogs que temos por aí. Mas em relação ao impresso, o lance mesmo é o bom e velho livro-reportagem (que o digam os "deuses" Talese, Capote e cia, fonte de inspiração pro trabalho dos nossos), ou alguns bons segmentados como Piauí ou reportagens da Caros Amigos por ex.

Mas, melhor do que falar sobre um tema pré-definido, é falar dos demais que são desdobrados a partir dos debates. Dessa vez, a discussão descambou para a questão da repressão policial, redução da maioridade penal, violência e, é claro, sobrou pro menino-João-Hélio (engraçado como ele normalmente é citado assim, pelas 3 alcunhas). E (não é tietagem, juro, rsrs), tenho que fechar com uma frase do Caco que sintentiza essa pendenga toda: "Jornalismo sem contexto gera paranóia e histeria coletiva".

 



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 21h13
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O Zôo

A mãe me acordou bem cedo. Tudo estava preparado. Sanduíches, um bolo quentinho, biscoitos, sucos e todas aquelas guloseimas boas pra piquenique. Uma bela manhã despontava.

O pai ajudava a levar as coisas pro carro, enquanto engolia o café preto sem açúcar. - É hoje, filhinho – exclamava a mãe, cheia do entusiasmo – ainda bem que não choveu, né, Abelardo – voltou-se para o marido quando ele entrou na cozinha.
- Hein?, ele quis saber.
- To falando do tempo, está ótimo, perfeito pra ida ao zoológico. O Abelardinho vai adorar!

Abelardinho, seis anos, guri inquieto, dedo no nariz, olhos curiosos, prestes a devorar o mundo como se fosse um sanduíche suculento. Por isso, nada melhor do que alimentar a curiosidade do garoto, levando-o para ver os bichos de perto.
- Criança de apartamento precisa perder o medo - dizia sabiamente Seu Abelardo.

Embarcaram. Seu Abelardo dirigia enquanto a esposa tagarelava sobre os planos para a semana seguinte. Domingo era assim. Como ou sem passeio, lá estava Dona Susana planejando, determinando e agendando as atividades domésticas.

Para Abelardinho, aquela conversa parecia complicada demais.
- Por que os adultos falam tanto? Mamãe não aproveita o caminho novo. E papai finge que tá escutando a mamãe. Que gente mais boba! Como é que deve de ser esse tal de zôo? Deve de ser igualzinho que nem aqueles programas que o papai vê na televisão. Será que o Jack, o Bob e a Jane do Discovery moram no zôo? O bicho mais bonito é o leão. Tem uma juba grande, é esperto e manda nos todos outros animais. Na TV disseram que ele é o rei da selva. Eu acho muito certo, porque ele é o mais forte. Será que ele também é rei no zoológico?

- Chegamos!
- Aqui que é o zôo, mãe?
- É, filhote. Vê como é maravilhoso! Nossa!
- É..., respondeu Abelardinho sem muito entusiasmo.

Ao entrarem no zôo, a decepção do menino saltou aos olhos. Todos aqueles bichos enclausurados, tristes, com pêlos e penas caindo. Jacarés em tanques imundos e o chipanzé com uma tremenda ferida no peito deixaram Abelardinho mais e mais insatisfeito.
- Isso aqui tá bem caidinho, hein! Nem lembra meus tempos de criança, quando eu passeava aqui com papai – cochichou Dona Susana ao pé do ouvido do marido.
- Vamos embora, Susana. A gente procura um parque pra fazer o piquenique.
Enquanto isso, Abelardinho pára em frente à jaula do chimpanzé ferido. E duas lágrimas escorrem dos olhos do menino, que naquela hora nem de perto lembrava aquele moleque manhoso, que abria o berreiro por qualquer motivo. É que a cena lhe calara fundo no peito. Um macaco doente, sem nenhum outro pra lamber as feridas, como fizeram com a Jane, era muito triste. Queria ir embora dali pra bem longe, onde animais tão legais não fossem infelizes como eles.

Na volta, o clima se manteve pesado. Os três, quase imóveis, esqueceram-se do piquenique. Todos pensavam a respeito das impressões que cada um deles tivera acerca daquela manhã. Dona Susana mantinha o silêncio indignado de quem não se conformava com a decadência de um de seus ícones da infância. Seu Abelardo temia que ele, o filho ou a mulher pudessem contrair alguma doença contida no ar ou em um dos tanques sujos. O guri, nem se fala.
Quando chegaram a casa, Dona Susana pôs a comida da cesta na mesa e serviu os dois. Abelardinho mal bebeu o suco e nem tocou nos biscoitos. Correu pra varanda, pois percebeu que já estava passando da hora de libertar o bem-te-vi da prisão.



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 02h14
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Um cartaz no muro

Um post novo para um template novo...só pra não deixar a coisa morrer...

Fixei você
No meu coração
E como um cartaz no muro
Você grudou fácil

Feito stick-glue-bubble-gum
Tipo folheto empapado
Passou, secou
Indescolável

Mas sua cola sem química
Dura menos que propaganda
Na primeira chuva
Perde logo o poder de atração

Parece Sub-Bonder de quinta
Pior que Pritt
Tá mais pra post-it
de segunda mão



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 20h28
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As piores anotações da aula de Filosofia e Comunicação - Vol 1

Memórias de um encontro eruditamente popular

Quando divisei Dalila pela primeira vez, ela andava pelo Caminho Niemeyer. Seus longos cachos avermelhados douravam ao sol e sua figura esvoaçante transmutava meu destino e desconcertava minha visão.
Não só a minha. A estátua de JK, se um dia ganhasse vida, travaria animado diálogo com seu amigo Oscar, que marcaria a régua Tê cada centímetro daquele corpo notável. Depois, em silêncio, observariam a tudo feliz, mais ou menos como faziam até então.
Já eu, ao notar que aquele era o trajeto diário de Dalila, passei a postar-me sempre diante daquela perfeição, às vezes parado, imerso em meus devaneios; noutras cinético, incômodo, transladando na órbita dela, tentando em vão simular indiferença. Quisera ensaiar poesia, dizer qualquer coisa, mas faltava-me o tino.

Como que possuído, feito alma brilhante em corpo inerte, eis que sai um "E aí?"...

***


Quando Sansão apareceu pela primeira vez perto de mim, notei quase que de imediato o seu desconcerto. Ele ensaiava alguns passos tortos no skate, arriscando manobras mal sucedidas sobre os banquinhos quando, de súbito, caiu.
O corpo magro, cujas calças lhe cabiam em dobro, pareceu ainda mais frágil ao chocar-se com o chão duro de concreto. Era tamanha a sua vergonha que, se pudesse, enterraria-se ali mesmo. O engraçado é como aquilo tudo me atraía. Embora fosse skatista, com todos os estereótipos a me saltar aos olhos por conta da vestimenta que usava, tinha um olho de poeta triste. Um arzinho pedante tão característico! Embora faltasse-lhe a força e o vigor que fizessem jus ao nome, tinha um quê de charmoso, destes charmes que só os poetas tísicos sabem ter.
Vai entender...

Respondi ao seu dulcíssimo "E aí" com um singelo "Beleza!"



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 00h04
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O texto que vem a seguir surgiu como reflexão a respeito de um concurso de redação, cujo tema era "O que é ser mulher no século XXI?". E a peça que assisti ontem - A Casa dos Budas Ditosos - me relembrou da existência desta reflexão, que já tinha escrito há tempos:

Perguntinha difícil de ser respondida. Trabalhar fora, executar tarefas domésticas, criar os filhos e gerenciar o próprio dinheiro, essas são as principais ocupações da maioria das representantes do sexo que deixou de ser frágil há tempos. Sem dúvida, estamos cada vez mais distantes do arquétipo feminino que nossas avós representaram tão bem: donas de casa exemplares, que só saíam acompanhadas de seus maridos, cujo maior prazer era servir a família e fazer de seu lar um cantinho especial nesse vasto planeta, suficientemente perfeito a ponto de afastar seu homem dos “perigos” que a rua poderia representar – nesse aspecto, leia-se “as mulheres da rua”.
   Mas, além das atividades ditas formais para grande parte das mulheres, existe um aspecto crucial: a feminilidade. Quanto mais somos independentes, menos femininas seremos? Se a pergunta tem a ver com o popular “esquentar a barriga no fogão e resfriar na pia”, muito disso se perdeu, sim. No entanto, a questão parece ser um tanto mais profunda. O “ser mulher” nos dias de hoje é um reflexo de como ela, ou melhor, nós lidamos com o sexo, com os padrões de beleza socialmente impostos mantendo a auto-estima elevada, com o posicionamento político, com as relações de consumo, enfim tem a ver com sua identidade como ser humano na sociedade contemporânea. Por isso mesmo, é bastante complicado definir um modelo de mulher.
   Acima do que nossas mães nos ensinaram a ser e do que os outros esperam de nós, o que deve pesar mesmo é o que queremos. Riqueza, beleza, sucesso e satisfação pessoal, todos conceitos subjetivos, que precisam de um julgamento além das aparências e de plena consciência de que podem ser temporários.
   Felicidade e bem-estar são conquistas diárias. Exigem esforço, trabalho de formiguinha mesmo. E mulher de verdade sabe disso, não se deixa dominar por conceitos arraigados.

No gancho da discusão, me lembrei ainda de uma citação da apresentadora Angélica sobre seu casamento, em entrevista a uma dessas revistas de fofoca: “Não me envergonho por me sentir dentro de um comercial de margarina. Minha alegria é plena".
Analisando por fora e carregando nas tintas dos estereótipos, uma é completamente o inverso da outra.

E vou mais além: considerando a possibilidade de a sexagenária de João Ubaldo Ribeiro ser real, concluí que deveria ser uma pessoa tão triste, infeliz...
Embora o texto seja sustentado pelas peripércias sexuais narradas com tanto humor, a impressão que dá é que tudo em suas atitudes parecia tentar justificar um vazio impreenchível. O que pra mim exemplifica isso é a suposta "missão" a que ela se incumbe: de fazer as pessoas mais felizes, leia-se sexualmente mais felizes. Então, buscando a felicidade para outros, ela busca a utopia da própria felicidade. (Pode ter algo a ver com essa minha mania de buscar sentido nas coisas, além das aparências, de repente não era nada disso e eu estou viajando, mas enfim...)

Conclusão do fim de semana: seja num "comercial de margarina" ou cumprindo uma missão mais "altruísta", cada formiga sabe onde lhe pesa a folha. 



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 19h43
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Sacudiu os cabelos grisalhos. Pisou a areia gelada da praia. Caminhou sem pressa, porque o tempo ficara lá atrás, antes do calçadão. Era a chance de dar a si uma folguinha. Esquecer-se dos pequenos estresses diários, que se avolumavam na cabeça em forma de espessos fios brancos. Tinha de permitir-se ao esquecimento. "Eu e a brisa", como diz o nome da música. "Espantar os grilos", "sintonizar o rádio da mãe-Natureza", como nenhum "bicho-grilo" pudera fazer nem em estado sóbrio.

As ondas ficavam mais e mais perto, batiam calmas...aliás, nem batiam, deslizavam. Uma espécie de balé sincrônico na beira do mar. Indo e vindo, indo e vindo, como que orquestradas por música clássica. E a cada puxão que a Natureza dava na rede cristalina, pequenos tatuís vinham brincar em torno de seus pés. Via tudo e achava graça! Como seres tão pequenos e até simplórios resistiam bravamente à insistência do mar?

Areia gelada, água morna, como já era de se esperar. Um convite ao merguho. Unzinho bastava para tornar-se uma outra mesma pessoa. O revestimento necessário para bancar de novo o papel de pára-choque de realidade.

Sumiu-se no mar por breves segundos. Ergueu-se. Sacudiu os cabelos (molhados) grisalhos. E só.


Uma perguntinha para vós-liricos: o eu-"não"-lírico deste texto é um homem ou uma mulher?



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 10h51
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ressuscitando os mortos...

Exercício de Paleografia

Acaso tens algo a dizer?
É chegada a hora da prova final?
Queres ver-te livre de mim agora?
Por que então esse "decifra-te ou me devora"?

Não tens vocação para esfinge
e tampouco Édipo sei eu ser.

É desesperador...mesmo à mais cega das criaturas
Tatear o braille das tuas palavras
Ásperas, duras
e incompreensíveis de ler

Temo as tuas incógnitas
O liga-ponto, o risca-aparece da relação
Se toda essa gradiloqüencia é um não
Diz logo!

Entalha em tipos lógicos
Escreve em fonte[s] MIL
Que assim aprendo a não me enredar
Na querência dura de te amar



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 17h30
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O que uma pepsi não faz com a gente...

Loud, dia 08-04. Foto supresa do Raí (mais uma daquelas que dão cegueira momentânea, rs). A frase estava mesmo pichada na parede sobre a minha cabeça.



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 01h34
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Pra entender o post anterior

Não que necessariamente precise ser explicado, mas na semana passada, fui ao teatro do Planetário ver "A Hora da Estrela". Assim, um pouquinho fica mais claro porque a personagem de Clarice Lispector veio à tona assim do nada.
Sobre a peça em si, o que mais me deixou feliz foi o fato de terem preservado praticamente o texto original. Um verdadeiro exercício de respeito a uma autora tão merecedora quanto ela.
O texto impacta, toca lá no fundo da alma...é daqueles que dão um nó na garganta, mas, que incrível, a gente fica querendo sorver mais e mais. Só de pensar em Macabéa e no fato de ela ser tão comumente nós mesmos é o que angustia, mas traz satisfação. É um sentimento ambíguo, que o grupo de atores conseguiu transmitir, numa montagem sem grandes pretensões.

Agora, quem não está disposto a esse exercício emocional talvez nem entre no mesmo nível de abstração que entrei. Quem sabe até ache entediante, fique esperando um enredo miranbolesco, quando isso é o que menos importa. Claro que estamos condicionados a buscar uma boa história com começo, meio e fim (se possível feliz), mas a Hora da Estrela está longe disso. O conteúdo da história não interessa. O importante é a forma, como é apresentada, como se chega a ela. Maca é todas, e nenhuma e sou eu...

por isso é que me comove tanto, ainda que eu não a tenha chorado como deveria...



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 17h21
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Já é hora de ser estrela?

– Elis Regina, em seu último show, antes da música "Aprendendo a jogar"

 

Agora o braço não é mais o braço erguido num grito de gol

Agora o braço é uma linha um traço um rastro espelhado e brilhante

E todas as figuras são assim

desenhos de luz

agrupamentos de pontos

De partículas um quadro de impulsos

um processamento de sinais

E assim dizem recontam a vida

Agora retiram de mim a cobertura de carne e escorrem todo o sangue

Afinam os nossos em fios luminosos

E ai estou pelo salão

pelas casas pelas cidades

parecida comigo

Uma forma nebulosa feita de luz e sombra

Como uma estrela

Agora eu sou uma estrela

 

Não chorei Macabéa como deveria

Não lamentei seus problemas

Não refleti sobre seus dramas

Nem mesmo ri da sua mania ridícula de ser estrela

 

Do seu traço de todas

da cara de nenhuma

do jeito de alguma daquelas 

Que se vê no ônibus todos os dias

 

A esgueirar-se no tumulto

A esfregar o sovaco cabeludo

nas costas suadas de um qualquer

 

Mas mulheres como Macabéa

são uma espécie de ginástica

Um exercício

de trans

            \piração

       ins/

 

Que malha o tônus exausto

esgarçado e distendido da minha poesia



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 18h47
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Já escolheste a tripulação
Preparaste o barco inteiro
Assim, içamos as velas
Para a infindável viagem da vida

Deixaste mesmo tudo pronto?
Parece faltar alguma coisa
Pouco importa, ganhamos velocidade
Rumo à nova jornada

'Que estranho?', digo eu
Quando saímos a navegar
Com o catre dos teus segredos
Ancorado ao velho cais

Questiono-me por que
Não sou marinheiro de confiança
Náufrago e perdido
busco algum entendimento

Atirado às ondas bravias
em franco impacto com a água
Encharcado, surpreso
Nado até a terra firme

O belo catre de segredos
está aberto na areia
Desvenda-se afinal
O mar de verdades incontestáveis

O motivo é claro, muito claro
Cristalino como o mar defronte
Arrumaste outro taifeiro
Mais fiel e astuto que eu

Como pude ser insensível
Às espumas que outrora
Avisavam-me e, agitadas,
Batiam à embarcação?



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 23h33
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Fotolog?

Isso aqui não é fotolog, mas tinha que publicar esse meu South Park. Fiz e achei lindo, sem falsa modéstia, hehe! Quem quiser montar o seu é só acessar: http://www.planearium2.de/flash/spstudio!.html

É bem ao estilo dolls (todo mundo conhece isso, ou só eu, porque tenho uma irmã viciada nesse troço?). Vc escolhe tipo de cabelo, roupas, acessórios, tudo...o chato é q não dá pra salvar como imagem. Por isso, pra quem for fazer, aí vai uma dica: O negócio é apertar "print screen", colar num programa de edição de imagens e depois cortar a área do desenho e só aí salvar no próprio PC...

 

A bem da verdade, continuo publicando imagens por aqui, pois nenhum desses “foto blogs” (flog, fotolog, flogão, floguxo, floguinho, gigafoto etc etc etc...) me satisfazem. Acho que sou chata demais, mas a impressão que dá é que sempre falta alguma coisa nos serviços que eles oferecem.

O fato é que fiquei tentada, desde que adquiri uma câmera digital. É tanta foto que a gnt que mais e mais espaço pra publicar. Além disso, que graça tem fazer bem mais de 50 fotos e não poder tornar pública nem umazinha.

Por isso, proponho um manifesto. Eis as minhas reivindicações: Quero proteção para as fotos, espaço ilimitado, comentários ilimitados, campo para os meus flogs favoritos, mesmo que eles não sejam da mesma empresa, tudo ao mesmo tempo! Será que é pedir demais, rs?

No fim das contas, vou ficando por aqui mesmo. Mal estou dando conta de um blog, quem dirá se ainda tiver o compromisso de postar numa página de fotos...



Escrito por Tatinha, Tata, Tati ou Rê às 01h12
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